Eu penso muito sobre a maternidade. Em parte porque é a minha atividade principal e sem pausas longas, porque me consome de dentro pra fora e de fora pra dentro. Mas também porque meu coração aquariano fica sempre lombrando, imaginando outras maternagens.
É doido, porque maternar, toda a coisa de: parir, amamentar, cuidar, criar e preparar para a vida adulta é MUITO animal. E eu me sinto muito mamífera quando se trata de Céu. Uma vez pulei sem pensar na frente de um carro que ia avançar na faixa de pedestres que minha mãe ia atravessa, agitando os braços e gritando, pra parecer maior e assustar mais o predador.
E eu tento viver minha maternidade assim, de um jeito bem... "orgânico". Será que eu posso dizer assim? É que eu depois do momento de hiperracionalização, eu relaxei e sigo fazendo o que tenho vontade, respeitando ele, deixando mamar, sem forçar ele a muitas coisas, dormindo junto.
Anteontem eu assisti A Última Floresta e vi duas mães yanomamis amamentando seus bebês enquanto faziam cestos. O bebê de uma delas trocava de peito e segurava o peito igual Céu. Ele era um animalzinho, como Céu, e ninguém ensinou ele a pular de um peito a outro. Ele sabe! Céu sabe! Um cachorro sabe e um macaquinho também.
E aí me pego refletindo e em contradição pensando na nossa sociedade, que exige uma existência UNA, mas também várias, e como o desenho de "felicidade" é estranho por aqui, mas como também me é natural pensar na felicidade aos moldes colonizados.
Sobre existir a carreira, o trabalho, a mãe que sai e tem amigos, a mulher sexual que transa, a mãe que nutre e cuida, a creche que o bebê fica o dia todo... tudo tão compartimentalizado! Um lugar pra ser de cada jeito, e lugares longes! O bebê que nem 4 anos tem ainda fica longe da mãe... e por quê?
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